Unicâmbio cresce na Alemanha e no ouro

2023-01-08 Expresso

Unicâmbio cresce na Alemanha e no ouro

É numa esquina, ao lado do quase centenário restaurante Nagel, em frente à estação central de comboios de Hamburgo, que está a mais recente loja da Unicâmbio na Alemanha. Os gorros, as luvas e o lago ali perto meio congelado denunciam o inverno, mas foi em pleno verão, em julho de 2022, que a casa de câmbios abriu a sua 33ª loja no país - a primeira expansão feita de forma autónoma, para além das 32 unidades no país adquiridas à Western Union em 202l. As imagens de bandeiras de vários palses coladas num dos vidros revelam qual o público com que a loja trabalha preferencialmente: os imigrantes. Esta sucursal é o rosto de uma nova fase de expansão da casa de câmbios portuguesa por terras germânicas - onde se apresenta com a marca Ucambio. 
"Queremos ir para zonas premium, como centros comerciais, não só ficar nas lojas étnicas", explica ao Expresso Paulo Jerónimo, maior acionista e administrador da Unicâmbio. O objetivo é ir para localizações com grande circulação de pessoas, como a praça da estação de comboios de Hamburgo, face à presença em unidades que denomina de "étnicas", em bairros de imigrantes, por exemplo, onde a americana Western Union tinha maior peso - o grupo quis deixar de atuar em nome próprio e a Unicãmbio foi à corrida e ganhou o mercado alemão como seu agente. 
 
Dentro da loja, em que o letreiro grita "Geldwechsel", ou câmbio, encontram·se dois funcionários, que neste negócio na Alemanha são sobretudo imigrantes, tal como os clientes. Há mais de 10 milhões de imigrantes, e Paulo Jerónimo acredita que serão mais. O negócio ali herdado é mais de transferências de dinheiro, mas é objetivo da gestão dar mais força ao câmbio; o país faz fronteira com quatro países sem euro e o dinheiro em papel ainda tem peso, "não é como a Suécia, que se prepara para tirar as notas de circulação". "Permite·nos ser algo otimistas em relação à Alemanha", comenta o gestor. 
São sobretudo imigrantes os clientes que entram nestas lojas, em que o amarelo é a cor dominante, e que preenchem os impressos para as transferências. Em Berlim, numa das unidades que têm na capital, há avisos na parede para os clientes não utilizarem óculos de sol, para ser fácil a identificação nestes espaços com especiais exigências de segurança, e até para não falarem ao telefone quando são atendidos - uma regra que não existe em Portugal. 
 
 
Câmbios
É a área que deu origem à Unicãmbio, em 1992. É o principal ramo de negócio em Portugal. 
 
Transferências 
É outro dos segmentos que a empresa explora como agente da Western Union. e que se destaca na Alemanha 
 
Ouro 
Em Portugal jã estã nesta operação, sendo que quer iniciá·la no mercado alemão até março. 
 
Outros 
A intermediação de crédito pessoal. em parceria com o BBVA. é outra das operações. Com um negócio sobretudo físico, a Unicâmbio criou uma carteira digital para entrar neste universo.
 
 
Equilibrar câmbio e transferência 
 
Por ali há funcionários de 30 nacionalidades, os turcos com especial enfoque, habituados a que as segundas-feiras sejam os dias em que há mais transferências. Em Portugal essa é também uma tendência. com dezembro como mês mais forte. A Turquia é o país para onde são mandadas mais transferências a partir da maior economia do euro, mas Médio Oriente, Bálticos e Sérvia têm também importãncia; já em Portugal é para o Brasil, sobretudo, e para os outros países lusófonos que segue o dinheiro. Aqui há envio e receção de diobeiro, na Alemanha é mais recorrente o envio. A média é de €6oo em terras germânicas, por cá anda pelos €300. Em Portugal, o cãmbio é o principal negócio, na Alemanha o rei é o negócio das transferências.
 
 
"O grande desafio é mesclar as transferências com os cãmbios", admite o acionista, fundador e administrador Carlos Lilaia (que, entre outros cargos públicos, foi deputado). Fazer dinheiro em território alemão não só pelas transferências, mas fomentar também o câmbio - que é a origem da Unicâmbio, fundada em 1992. É colocar os funcionários não só a lidar com as segundas·feiras mais fortes das transferências, mas com as alturas de força turística, como o verão, em que o câmbio se destaca. No consolidado do grupo, a meta é nenhuma das áreas de negócio ter mais de 50% das receitas. Além da Alemanha e Portugal, o grupo nacional com cerca de 260 funcionários está em Angola e explora atividade no aeroporto de Casablanca, em Marrocos- e não fecha as portas a ir para outros mercados.
 
Mas, se começou no câmbio, agora a Unicãmbio está registada em Portugal como instituição de pagamento, com serviços mais alargados, até com caixas de levantamento automático (com uma parceria com a Euronet). "Estamos a preparar outros produtos", sugere Lilaia.
 
Um dos serviços que agora tem e que não existia na fundação, há 30 anos, é a venda de ouro, negócio que também será exportado para a Alemanha. "Começar com o ouro cá também é objetivo no final do primeiro trimestre de 2023", aponta Paulo Jerónimo. A concorrência vai ser muita, porque nas ruas das cidades alemãs são várias as lojas que anunciam este negócio.
 
D.C. Em Hamburgo e Berlim
O Expresso viajou a convite da Unicâmbio
dcavaleiro@expresso.impresa.pt
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